
DISCO DE OURO PARA
ROBERTA SÁ (*)
(Mauro Ferreira - Crítico musical)
ROBERTA SÁ (*)
(Mauro Ferreira - Crítico musical)
Anunciado oficialmente, o Disco de Ouro conquistado por Roberta Sá pelas 50 mil cópias vendidas de seu segundo álbum - Que Belo Estranho Dia para se Ter Alegria, lançado em agosto de 2007 - representa sinal de vida e inteligência no mercado fonográfico.
Se o CD chegou a essa marca rara em tempos de vendas decadentes, é porque (ainda) há consumidores dispostos a comprar um disco idealizado em total desacordo com as batidas fórmulas da indústria e com as receitas radiofônicas. Roberta Sá está ficando cada vez mais popular, mas sua música, embora acessível, não acena para as massas.
É fato que a distribuição eficiente da gravadora Universal Music - parceira do selo MPB na edição do disco - contribuiu para o êxito comercial do CD da cantora.
É fato também que os elogios fartos, entusiasmados e unânimes da crítica ajudaram a despertar a atenção de muita gente para seu trabalho e souberam posicionar corretamente a artista no mercado fonográfico. Contudo, o grande mérito é mesmo de Roberta, que arregaçou as mangas e montou um show bem produzido que tem percorrido o Brasil e ajudando a popularizar a figura e a música da cantora fora do eixo Rio-São Paulo.
Até porque, se elogio de crítico influísse decisivamente nas vendas de CDs, Guinga seria um campeão do mercado. Roberta Sá ganhou um Disco de Ouro porque seu segundo álbum é estupendo, mas também porque a cantora jamais ficou dormindo sobre os louros dos incensos da crítica e foi à luta sem pedir licença neste mercado segmentado.
Ela confiou na força de seu repertório e de seu CD. O Disco de Ouro conferido pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) a Roberta Sá é a prova de, contra todos os prognósticos pessimistas, o mercado ainda está vivo e até eventualmente receptivo para quem ousa desafiar as suas leis.
(*) Roberta Sá é neta do saudoso Roberto Varela, ex-prefeito de Ceará-Mirim.
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